5 de agosto de 2017

Gestos que ficam

Recentemente alguém querido, estimado e admirado por múltiplos recantos de mim, agarrou num texto de outrem (meu ilustre desconhecido) e dedicou-mo. Comoveu-me! Tinha de partilhar.


«A vida é um instante. Um momento de momentos. A alegria e o cansaço. A festa e o desastre. Por vezes é madrasta, deixemos os eufemismos o que ela é na realidade, e não raramente, é uma merda. Uma grande merda.
Por vezes levamos chapadas na vida que nos magoam. Cabe-nos dar a volta aos assuntos. Aprender a ler o avesso das coisas. O corpo a queixar-se. O sangue endoidecido. Nós perdidos. Caminhos com longos corredores. Corredores sem fim. Uma luz. Uma intermitente claridade. Sigamos o foco.
Sabemos dos amigos e não sabemos de nada. Exames e relatórios que não sabemos ler. Pedradas sem nexo. Camas de acordar. Um deserto de ideias. Tudo nos contraria os sentidos. Uma revolta que calamos e nos vai massacrando por dentro.
Sei, minha amiga, que vais vencer. Que vamos vencer. Que vamos sair inteiros deste novo desafio. Não admito desistências. Estou aqui. Beijo.»

2017 | Jorge C Ferreira

4 de agosto de 2017

Carta

Querida mãe.

Ao contrário do que tu gostarias, o momento não é de calmaria.
Sei que foi para teu bem, mas custa-me a compreender. Porquê tu?
As nossas conversas fazem-me falta. Tanta falta! Atravesso um momento de dúvidas muito densas:
- não sei como revitalizar o mínimo de segurança, de tranquilidade. Que decisões/opões tomar? As escolhas que fiz parecem descambar;
- não sei em quem confiar, desconfiando de todos. Especialmente de quem sempre esteve e mesmo presente não consegue compreender-me.
 Não sei nada, mãe. «O que dirias, tu?»
Quem sou eu além de ti?
Fazes-me falta…os espaços vazios de ti parecem já não me embalar.
Não é a primeira e nem a última carta que te escrevo. Muito fica por dizer e outro tanto por calar..
Amo-te muito, mãe.
Tua Anita.