9 de julho de 2017

Sentir... não!

Em tempos idos, era uma miúda fechada: falava pouco sobre assuntos delicados. No entanto, comunicar sobre banalidades entre pares não era grande problema. Talvez por isso, esta faceta passasse despercebida.
A minha mãe foi a pessoa que percebeu e contrariou este meu traço, tendência - o que seja.
Interpelava-me, quase sempre na hora certa: "desabafa, não guardes tudo para ti". Dizia muitas vezes.
Admito que nem sempre contava tudo, como seria de esperar, mas aquela compreensão deu-me segurança, tornando-me numa mulher mais  comunicativa e mais aberta.
É certo que as pessoas  não mudam por um acontecimento ou por um factor e sim por um conjunto de variáveis interligadas.
Actualmente noto dificuldade em expressar o que se passa comigo. Involuntariamente dou por mim a fugir, em pânico, de diálogos centrados em mim, especialmente sobre o que sinto.
Se questionar a matriz desta mudança algumas hipóteses sobressaem. 
a) estar a bloquear sentimentos e emoções -ainda dolorosos. 
b) não conseguir confiar a ponto de me abrir. As pessoas vivem a correr,  daí a baixa  disponibilidade para ouvir sem julgamentos, independentemente de ter de contrariar o outro. Julgar e discordar são afinal comportamentos / atitudes bem distintas.

Consigo apenas reter uma das críticas que a minha mãe me dirigia: "entregas-te e confias demasiado."
Não sentir pode ser o caminho que se abre, quiçá o único.



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