13 de junho de 2017

Caminhante

Caminhante por ruelas sem nome, despede-se, a cada passo, do vento que a havia circundado. Nas pedras da calçada calcorreada deposita os gritos, as palavras mudas, as silabas gravadas, as notas de música entrelaçadas na ampulheta estanque. 
Trespassa multidões vazias de gente. É atropelada por uns quantos solitários  e, até, ausentes de si próprios. Tenta desenhar as histórias daqueles seres: razões, sentimentos e enredos mesurados pelo olhar de cada um.
São histórias – umas cruzaram a sua, outras nem tanto – timbradas em livros fechados e encaixotados.

Caminha sem bagagem com um livro em branco por escrever.
Flutua.


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