10 de abril de 2017

É permitido duvidar


Cruzamo-nos num domingo de ramos. De semblante carregado com olhar entristecido, interpelou-me mais ou menos assim.

“Na missa de hoje repetiu-se sucessivamente «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?». É uma pergunta entranhada na minha carne com eco constante.
Sempre Lhe dei graças pelo que era e pela coragem e resiliência para escalar os rochedos da vida, tanto de verão como de inverno.
Hoje vislumbro tudo diferente: as fontes secaram, os trilhos sucumbiram em campo minado à minha volta. Pergunto se Deus realmente me abandonou ou simplesmente se esqueceu de mim. Deve andar tão amargurado com este mundo tão desconcertado. (…)”


Num ápice, abraçou-me para camuflar o choro engolido.
Respirei fundo e disse:
- Não tenho resposta à tua questão.

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