29 de março de 2017

Metamorfose aparente


É estranho sentir o sol, o vento, a chuva. É estranho como o tempo prossegue para os outros e, de súbito, para mim também. 
É estranho como uma rotina falseada aparenta uma normalidade revigorante.
Foi tão estranho fazer anos, apagar as velas, jantar fora…
É irreconhecível coexistir sem ti nesta idiossincrasia inventada.
Era o que querias – não posso duvidar.
Pareço outra, que não eu, quanto falo de trivialidades, quando sorrio (apenas facialmente, ainda), quando projecto as lides domésticas e concretizo tarefas.
Confesso que não saio da cama, mas esta outra entra na rotina como se tivesse reaprendido a viver com gosto.
Será isto o limbo da metamorfose?

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