18 de novembro de 2016

Hora de dizer basta

Dizem que a essência da vida consiste em andar para frente. 


Momentos há em que somos impelidos a tomar opções outrora inimagináveis. São situações inequivocamente inesperadas pautadas pelo sentimento de incredulidade. 
Há pessoas com quem temos um laço de parentesco, à medida que o tempo passa estabelece-se uma relação. Chega-se ao ponto em concebemos a ideia de que aquele ser é alguém próximo de nós afectivamente. 
Quando despertamos no meio de um filme indecifrável patenteado por diálogos ofensivos e acusações dirigidos não só a nós, mesmos, como àqueles que nos são mais que tudo e que por vezes não se podem defender,  a percepção altera-se substancialmente.
Nos primeiros instantes o coração aperta-se, gera-se o caos, a cabeça entra em modo de processamento a fim de compreender o que se está a passar.
A seguir surgem dúvidas: “será que compreendi bem o guião?”; “será que vi um episódio descontextualizado?”

Fiel ao princípio de que todos temos o direito a errar, procura-se esclarecer a posição da pessoa com a atitude de não-julgamento. É um momento crucial em que devemos estar serenos e conscientes de que aquela relação,  tal como era, deixou de existir. Importa aceitar que há duas opções em aberto: a) reconstruir o laço afectivo existente; b) a relação termina.

Posso partilhar que no caso em particular a opção b prevaleceu. Contudo, já passei por histórias em que a relação se reconstruir com pilares mais sólidos.

A reflexão a fazer remete para o seguinte: o término de uma relação de qualquer natureza não significa manter em nós aqueles sentimentos tóxicos aliados à mágoa. É melhor aceitar que simplesmente é como é. Se não resultou é porque não tinha de ser. Amor-próprio não é sinónimo de narcisismo como por vezes se pensa. Significa coragem! Coragem para não aceitar o inaceitável; coragem para dizer basta e afastar quem se mostra predisposto a tratar-nos sem respeito e autenticidade. 
Quanto mais verdadeiro for o amor-próprio maior será o amor ao próximo. Como tal, é pertinente aceitar os erros dos outros, perdoá-los e perdoarmo-nos a nós mesmos. Só assim se chega verdadeiramente ao fim de uma relação de forma saudável. Diria que, na prática, é inútil afastarmo-nos da(s) pessoa(s) se formos incapazes de desligar – fechar o livro, arrumando-o no local apropriado.
Nós é que escolhemos quais os afectos que queremos construir e alimentar. Os maus-tratos continuados entre adultos são o somatório de actos de violência física e psicológica. Sejamos fortes o suficiente para cortar o mal pela raiz e quanto mais cedo melhor. 

3 comentários:

  1. Parabéns Anna, e obrigada pela crónica maravilhosa que aborda assuntos delicados e pertinentes. "Quanto mais verdadeiro for o amor-próprio maior será o amor ao próximo." <3 Fortíssimas estas palavras! :)

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    1. Obrigada, Ana. A aprendizagem é constante.
      Abraço.

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  2. Olá :) Enviamos um convite para o teu email.
    Contamos contigo? :)

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