21 de outubro de 2016

Miúda cansada


Avistei-a ao longe. Movia-se a passo incerto, cabisbaixa com um olhar indefinido. O vulto triplicava o peso do seu corpo; carregava uma tristeza silenciada. 
Era uma história, igual a tantas outras, cuja personagem central podia ser qualquer pessoa. Só que aquele enredo era o dela, corria-lhe nas veias.
Chegou perto com olhos tristes. Perguntei porquê, estendendo a mão. Chorou no meu ombro, sem falar enumerou as lutas inglórias e intermináveis que travara. 
A miúda estava exausta, mal se detinha direita. O passar do tempo era-lhe doloroso, o espaço vazio; sem direcção ou destino.
A dada altura deixei-a partir, respirei fundo e segui o meu caminho devagar. É a única opção a tomar, tantas e tantas vezes.

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