25 de outubro de 2016

Pensamentos #10




O somatório de todos os instantes é pequeno se encararmos a realidade como um valor absoluto. Os nossos olhos não alcançam a realidade omnipresente. 
Cada um de nós é uma peça fundamental, ao invés do puzzle inteiro. Crenças, julgamentos e verdades absolutas são cortinas opacas que tolhem o nosso crescimento humano.
Contas feitas, o mundo e tu existem ao mesmo tempo, são inseparáveis.

21 de outubro de 2016

Miúda cansada


Avistei-a ao longe. Movia-se a passo incerto, cabisbaixa com um olhar indefinido. O vulto triplicava o peso do seu corpo; carregava uma tristeza silenciada. 
Era uma história, igual a tantas outras, cuja personagem central podia ser qualquer pessoa. Só que aquele enredo era o dela, corria-lhe nas veias.
Chegou perto com olhos tristes. Perguntei porquê, estendendo a mão. Chorou no meu ombro, sem falar enumerou as lutas inglórias e intermináveis que travara. 
A miúda estava exausta, mal se detinha direita. O passar do tempo era-lhe doloroso, o espaço vazio; sem direcção ou destino.
A dada altura deixei-a partir, respirei fundo e segui o meu caminho devagar. É a única opção a tomar, tantas e tantas vezes.

19 de outubro de 2016

Pensamentos #9


       

 Tão somente assim se flutua por tanto mar,


18 de outubro de 2016

Matemática aplicada


Ora bem, na escola aprende-se que a matemática é uma ciência exacta. Sem direito a levantar o dedo para deambular por perguntas travessas.
2 + 2 = 4 certo?
Enquanto se anda na escola está certíssimo! Chega-se à vida dos adultos e descobrem-se umas quantas variações.
Vejamos algumas:

  • Vendedor:  2 + 2 =  5 ou 6 “e se for 8 és bestial.”
  • Comprador: 2 + 2 = 3 “ora, veja bem.”
  • Assessor de tacho:  2 + 2 = _______ “esquece lá isso, não te pagam para saber.”
  • Assessor de imprensa colorida: 2 + 2 = 2 “o 2 dormiu onde? Como é que não vejo o 3 a a fazer olhinhos ao 7?”
  • Técnico de base: 2 + 2 =112,00034 “Ora francamente! Como é que podiam ser 4? Na próxima avaliação vou-me lembrar disso.”



                                      «Adultos, quem os entende?» 

15 de outubro de 2016

À mãe...



Ao teu colo soube como florir
Pela  tua mão aprendi a caminhar
Nas ruas íngremes…
Nas tuas palavras compreensivas ternas e sábias
Refugio-me muitas vezes dos vendavais.
Admiro e preso a coragem com que vives
Dia após dia...
És tu, mãe! Sim, tu...
Essa mulher corajosa e sábia que quero ser um dia.
Amo-te muito e só com imenso amor te digo: obrigada mãe!


Escrito a 30-12-2010.
Dedicado à mãe, no seu aniversário.

9 de outubro de 2016

Pensamentos #8


"Não julgues as minhas decisões sem conhecer as razões."


Pode até ser uma frase corriqueira; não obstante, inúmeras são as vezes em que esquecemos que o outro tem: poder de decisão, o direito de acertar e de errar, as razões/ história de B são tão válidas como as de C, de D, de K e até de X.
Não julgar deve ser um exercício constante até se transformar em atitude. É simples.

2 de outubro de 2016

The Gymnastica V

Concluindo as histórias da viagem à Alemanha; podes (re)ler, clicando em cada uma.




A viagem a outro país, a estadia e a participação num evento intercultural em torno da dança interpretativa deixou marcas. Uma perspetiva nova e mais abrangente é inequivocamente a melhor definição desta história.
Naturalmente nem tudo pode ser perfeito. Sim, ocorreram imprevistos e até obstáculos a serem contornados – se não à primeira, à segunda ou à terceira. Faz parte!
Surpreendi-me com um sentimento, até então, adormecido. Ser português cá dentro é bem diferente de o ser lá fora. 
Como assim?

  • Decorriam as exibições com uma das classes em cima no palco; de repente ouve-se Amália Rodrigues a cantar «Gaivota» (ouvir aqui), arrepiaram-se todas as partículas de mim. Nos três serões seguintes, tal emoção reproduziu-se.
  • Encontrar tugas no meio da multidão tem um cheiro especial.
  • Um “obrigado” esforçado com prenuncia germânica suscita orgulho.
  • Ao entrar no avião de regresso os meus ouvidos captaram português bem falado e música portuguesa. Que bem que soube!
  • Sentir a minha terrinha, a minha caminha e aqueles mimos que só os nossos sabem dar… d e l i c i o s o!
  • Não há café como o nosso e nem a um preço tão bom (risos!).


Viajar é tão bom! Embarcava já amanhã se pudesse; daqui a uns dias, talvez. :)