6 de setembro de 2016

The Gymnastica IV

Lembram-se da viagem a  Bürstadt? Cá vai o roteiro das "nossas" exibições.



O rol de exibições durante o festival era variado. Umas surpreenderam, outras exibiam uns trechos de tédio (perdoem-me a sinceridade, mas simples cambalhotas de trampolim já vimos e revimos), incluindo, ainda aquelas performances que estão no intermédio qualitativo. Apresentam-se em palco com boa técnica, criam boa relação com o público mas não chegam a escalar cume da excelência. Sempre considerei que enquadrávamos bem nessa categoria, pois, também, não “queríamos” mais.
Eramos um grupo composto por oito pessoas, cinco das quais portadoras de deficiência. A nossa performance consistia numa coreografia interpretativa de uma música, quanto a mim, muito gira. Tem uma mensagem simples e forte sem se tornar melodramática/chata.  Música "Read All About It" de Emele Sande. Ouvir aqui.

Curiosamente, após a segunda vez que actuamos fomos notícia num jornal local. Nos dias a seguir, outras equipas sorriram igualmente ao verem-se no mesmo jornal.

Ao terceiro dia, aliás noite, antes de entrar para o palco visualizei as pessoas na audiência e pensei: «desgraçados, vão ver a mesma cena de ontem e de anteontem.» Assim que nos viram, gritaram ainda mais por PORTUGAL – nós (risos!) – e acompanharam a coreografia erguendo a nossa bandeira. É uma sensação indescritível, – surgem formigas no estômago e na coluna – contudo, não permiti que me intimidasse, sentia-me satisfeita por ali estar.

Na noite de encerramento actuamos: apesar de algum cansaço, o entusiasmo era elevado. Desfrutei do momento: cada movimento e cada gesto coreografado foi sentido. Parece que venci o medo do palco. Deixei de me sentir como uma formiga no epicentro de uma manada de elefantes, como nas primeiras vezes em que actuamos no CCB. Respeito o palco e ele tem de fazer o mesmo. Divagações à parte.
Integrei o conjunto de exibições de encerramento. Basicamente, consistia num mix. Atletas de diversas equipas interpretavam excertos. “Calharam-me” duas ginastas acrobatas de origem nórdica, mais dois portugueses. Ironia da ironias: ao trocarmos impressões dou por mim a debitar inglês com um tuga. Rimos em uníssono, claro! Essa parte, ensaiada à pressa, decorreu. Contudo, uma das loirinhas desequilibrou-se. Em fracção de tempo pensei: «ainda bem que não fui eu.» É um bocado mau, eu sei mas…ups!

Quase no encerramento, todos os treinadores foram convocados ao palco. Eu não estava a pescar nada de nada! Quando a minha professora foi ao centro e ergueu “um objecto”, continuava sem saber em concreto, intui que algo se passava porque desatou tudo aos berros. Sabem que mais? Também gritei (risos!). Conclusão: o objecto que vira ao longe era a taça em prata: segundo lugar.

Como referi no primeiro post não era uma competição; as classes representaram o seu país através das instituições de suporte, logo a votação não foi meticulosa. Não tendo levado a sério, antes, aquele momento soube bem. Gostei que a professora tivesse recebido  o troféu por tantos anos a desbravar caminho. Bem como o meu ginásio – uma instituição com mais de 140 anos de existência, tem vindo a dar passos significativos na área do desporto integrado.
Naquela noite, em  Bürstadt saltou a rolha: às tantas da noite a gritar “Portugal olé” pelas ruas a fora.

Loucuras saudáveis que nos fazem sentir vivos – olé!

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