17 de agosto de 2016

Hiato

Pausa! 
Retenho o instante consciente do que é o presente. Observo os pormenores como quem saboreia uma iguaria com os cinco sentidos.
Coloquei o passado na estante junto dos livros que li; os mesmos que co-produziram quem sou sem precisar de lê-los todas as noites. Noutra prateleira estão os livros por ler - o futuro que me espera sem perturbar até chegar o momento.
Aceito o presente com os seus ângulos e linhas, descobrindo a magnitude de navegar aqui e agora - somente Agora.



12 de agosto de 2016

The Gymnastica III

Outro pedaço da viagem à Alemanha. 

A perspectiva inicial era de não termos de actuar todos os dias, contudo o programa definiu o inverso. O itinerário das exibições será desenvolvido num texto seguinte.

Ao segundo dia fomos passear até à cidade de Benshein.  Segundo consta tem mais de 40.000 habitantes e é a maior cidade do distrito de Bergstrasse.

Havia-se perguntado a acessibilidade do comboio. A resposta anunciava alguma reserva mas indicava que uma das locomotivas a fazer a viagem de ida e volta teria acessibilidade para transportar pessoas utilizadoras de cadeiras de rodas eléctrica. 
Chegámos à estação a contar que tudo estaria em ordem. Tchan! Tan, tan tan.. aparece o dito comboio todo XPTO: portas largas com uma mini rampa automática que parou a uns 30-40 centímetros do chão. “Ó foda-se e agora? Vou dizer para irem eles e eu fico por cá.” Disse sem falar.
[Faço um à parte para explicar que em situações como esta quando se está com outras pessoas é complicado digerir aquela sensação de estar a privá-las de algo por via da falta de acessibilidade.]
Numa fracção de segundos, antes de ter tempo de assimilar o turbilhão de pensamentos, entre transeuntes e conhecidos elevaram a cadeira em peso (qual peso? 112kg dela + 45kkg meus). E catrapum, estava lá dentro! ” Yehhh!!! “ (Palmas!)
Imenso espaço, lugares para a cadeira com óptima vista; sem utilizar deparo-me com um wc adaptado digno de um hotel. Quase fiquei com ar de saloia!  Ai pensei: “ok, os indícios são positivos. Aquela estação é uma entre muitas. É impossível que seja assim em todas, não tem lógica nenhuma.“   Desfrutei da paisagem, sorrindo por estar tudo bem. Ao chegar ao destino o filme repete-se. Sim é verdade, dá vontade de rir à gargalhada, certo? Enfim, são humanos!
O regresso teve um atenuante, em Benshein a rampa ficou ao nível do solo, contudo para sair em Burstad mais uma vez a ajuda das pessoas superou toda e qualquer barreira. Conclusão:  a atitude é o pilar basilar da (in)acessibilidade. (Futuramente voltarei a este tema com maior amplitude.)

Vamos ao que interessa: o passeio por Benshein. 

28-7-2016 em Benshein.

A cidade é um pouco mais evoluída do que Burstad, embora não tenha estilo de grande cidade. Apaixonei-me perdidamente pela arquitectura paisagística. As casas, os candeeiros de rua com canteiros floridos, o jardim com sombras refrescantes, as lojas com montras, as esplanadas.
Ficaram monumentos por visitar por causa das escadas. 

Um dia bem passado.  

10 de agosto de 2016

The Gymnastica II

Continuando a falar sobre a viagem à Alemanha. Ver aqui  a série "The Gymnastica"

Burstad é um lugar tranquilo, bem distante das confusões das grandes metrópoles. A paisagem é composta por moradias de estilo arquitectónico em voga há umas décadas atrás. Algumas até são engraçadas com os seus telhados típicos de inclinação adequada para a neve, têm pequenos espaços de jardinagem bem cuidados e adornos exteriores peculiares.
Nas ruas não há lugar para lixo, folhas secas ou qualquer vestígio de desarrumação. Pouco tráfego, as passadeiras e os sinais de trânsito ainda são escassos. Coexistem ciclovias q.b., de forma integrada, ou seja, não deixa de haver passeio para peões em paralelo. As pessoas circulam a pé ou de bicicleta com naturalidade. 
Como podem imaginar, tive oportunidade de calcorrear as ruas. É das coisas mais gosto de fazer em qualquer lugar. Escutar o vento, os cheiros as cores; perscrutar as gentes, os sons e os silêncios; mesurar as histórias caladas no ar.
O povo daquela cidade vive sem pressa, é hospitaleiro e apto a ajudar. Dá ideia de que se preparam para o festival trianual, sem permitirem que as centenas de pessoas que participam afectem a sua vida de forma pejorativa. Bem pelo contrário, parece que de alguma forma esperam pelos ginastas.



Em Burstad
A aventura continua nos próximos post’s.

5 de agosto de 2016

A ti.



Não sou fácil de derrubar. Se cair dez vezes levanto-me dez vezes e meia graças ao endurecimento da carapaça protectora.
Como digerir a hipótese de que alguém muito próximo pode não sobreviver a uma doença muito grave? Tenho conseguido domar os pensamentos pessimistas, vivendo o melhor possível o momento presente. Tudo o que nos resta é o agora; o passado já era e o futuro é uma incógnita, uma idealização de vida que ainda não aconteceu.
A garganta fecha-se quando a pessoa amada repete aquele discurso de preparação para a própria morte. Procuro deter a avalanche, desviando o foco principal dos seus pensamentos. As palavras que lhe dou parecem-me transparentes, inebriadas por uma força que me foge. Por vezes nem sei o que digo ou o que escrevo nos silêncios. Por vezes não penso, apenas – como se assim não sentisse.
Não desistas de tentar, peço-te…

Que nos faltem as forças mas não a Fé porque a força adormece com o cansaço. 
Esquisitices à parte, a Fé é o quanto basta.

4 de agosto de 2016

The Gymnastica I





De três em três anos realiza-se em Burstad o Festival Internacional de Ginástica: The Gymnastica Bürstadt.
Bürstadt é uma cidade da Alemanha localizada no distrito de Bergstrasse da região administrativa de Darmstadt, estado de Hessen. A cidade é preenchida por aproximadamente 15.541 de habitantes, numa área de 34,46 km². 
Entre 27 e 30 de Julho de 2016 realizou-se a 21ª edição do Gymnastica Bürstadt. Participaram 22 equipas provenientes de 11 países espalhados pelo globo.
Cada classe actuou para largas centenas de expectadores durante quatro serões consecutivos de festival. O espírito de competição esteve ausente; o ambiente era de companheirismo intercultural promovido pela dança interpretativa aliada à ginástica.

Os próximos textos vão narrar experiência(s) vivida numa perspectiva mais intimista. 
Posso adiantar que foi brutal!

Até já. :)