24 de julho de 2016

Estou no ir!

Dentro de dias ingresso numa viagem.
Embora tenha sido informalmente convocada há algum tempo, só há umas semanas quando se tornou irreversível é que tive de dar a resposta final. Estive quase a desistir -  foi por um triz.
Poderia falar da lista de afins para enfiar na mala mas não me apetece. Prefiro enumerar o que espero desta viagem.
Tenho de afogar algum nervosismo/ansiedade ou patetice.
Preciso accionar o botão de me auto-desligar do que foi, do que é e do que é provável que venha a ser.
Quero aproveitar ao máximo cada momento e conhecer outros horizontes.




Contem com novidades em breve.
Auf Wiedersehen!

17 de julho de 2016

Dias e dias

O diâmetro dos dias tem os seus desígnios.
Se comparar com o quotidiano de há uns meses, nestas últimas semanas tenho experimentado algum apaziguamento. Curiosa e estranhamente a tensão muscular tem feito comícios à rebeldia. Nada de irresolúvel: seja com diplomacia ou com chicote.
É uma calmaria superficial. Falta conhecer os últimos resultados médicos; saber se os próximos 2/3 meses serão assim – sem idas e vindas hospitalares com todo o peso e significado inerentes. Evito pensar, mas os neurónios dão luta.

Em paralelo, entrou na minha vida alguém que restabeleceu parte da segurança perdida. Sei que posso contar com ela. É engraçado como depois de tantos desencontros, o destino encaixou os ponteiros – dá que pensar (ou talvez seja assim que deve ser)! Podia ser apenas uma parceria? Sim! Contudo, há uma ligação bem mais consistente que o tempo irá consolidar.

As emoções parecem querer desalinhar a órbita. Depois de tanto “trabalho” para serenar a rapaziada do hemisfério cerebral direito, eis que dou por ela em modo “tonturas”. Vejamos: em poucos dias, cruzei-me com histórias reais – autênticos socos no estômago – que envolvem crianças, adultos, velhotes e animais vitimas de carrascos desumanos com aspeto de gente. Uma a uma foi dissolvendo o escudo criado.
Já estava a amolecer quando um parente confidencia que o gatinho que recolhera da rua, ainda bebé em Outubro último, caiu da varanda e fraturou as patinhas da frente. Está internado e será operado muito em breve. Nas entrelinhas desta história trágica emergiu a tenaz proposta de nem tentar salvar a doce criatura. «Uma facada no peito dos donos.» –  Subentendi em choque através das confidências.  O dinheiro está a anos-luz de sobejar no seio daquela família, mas a dignidade humana sobrepõe-se ao que para muitos indigentes será tido como essencial e indispensável.

Penso para comigo: não ser capaz de imaginar aqueles dois miúdos de 7 e 13 anos (aproximadamente) a chegarem a casa e depararem-se com tal cenário. Nem consigo calcular como é que aqueles dois adultos geriram a situação. A imagem que mais vezes atravessa os meus olhos, é a do gatinho… chama-se Lucky. Faça-se justiça ao seu nome.

Do trivial concluo, mais uma vez, que sou de estranhas vontades. Se por um lado desejaria parar o tempo para não voltar ao dia-a-dia dos últimos meses, por outro queria empurrar os ponteiros para saber em concreto como serão os meses ou semanas seguintes e para o Lucky já estar recuperado.

Seres dicótomos é o que somos.

14 de julho de 2016

Sonhar é Preciso


«(...) Sonhe com a Lua, para poder pisar as montanhas. Sonhe com as montanhas, para pisar sem medo os vales das suas perdas e frustrações. 
Apesar dos nossos defeitos, precisamos de ver que somos pérolas únicas no teatro da vida e compreender que não existem pessoas de sucesso ou pessoas fracassadas. O que existe são pessoas que lutam pelos seus sonhos ou desistem deles.»

Augusto Cury, in 'Nunca Desista dos Seus Sonhos'

Um autor que muito diz.

7 de julho de 2016

Pensamentos #7


Por mais simples que pareça nem sempre ligamos ao óbvio.
A fórmula certa para nos mantermos saudavelmente bem é saber ser 'desenhador da nossa vida'. O que, por si só, requer persistência, gentileza, determinação e desapego do que não necessitamos ou não nos faz bem.

6 de julho de 2016

Nabos, onde estão?

Deslizava pela rua com ligeireza. Subitamente uma senhora interpelou-me com tom de voz nasal.
- Ó menina, ó menina… onde é que há aqui uma loja de nabos?
- Loja de nabos!? – Procurei confirmar.
- Sim. Preciso de nabos…
- Ah! O supermercado! Ali à frente tem o X e o Z. Ficam na mesma rua, um quase em frente do outro.
- O que é um supermercado? Será que vendem nabos? Preciso mesmo de nabos.
- Vendem sim, minha senhora.
- Obrigada.
Não pude deixar de ouvir o tico a comentar com o teco: «Uma naba em busca de nabos, literalmente!»


4 de julho de 2016

"Tristeza Entrançada"




Cruzei-me com um texto de uma blogger mexicana - Paola Klug. 
Embora não saiba quem traduziu, partilho pela beleza entrançada.

Para ler o original em Espanhol abrir aqui.

“A minha avó dizia-me que quando uma mulher se sentisse triste, o melhor que podia fazer era entrançar o seu cabelo; de modo que a dor ficasse presa no cabelo e não pudesse atingir o resto do corpo. Havia que ter cuidado para que a tristeza não entrasse nos olhos, porque iria fazer com que chorassem, também não era bom deixar entrar a tristeza nos nossos lábios porque iria forçá-los a dizer coisas que não eram verdadeiras, que também não se metesse nas mãos porque se pode deixar tostar demais o café ou queimar a massa. Porque a tristeza gosta do sabor amargo.
Quando te sintas triste menina- dizia a minha avó- entrança o cabelo, prende a dor na madeixa e deixa escapar o cabelo solto quando o vento do norte sopre com força. O nosso cabelo é uma rede capaz de apanhar tudo, é forte como as raízes do cipreste e suave como a espuma do atole.Que não te apanhe desprevenida a melancolia minha neta, ainda que tenhas o coração despedaçado ou os ossos frios com alguma ausência. Não deixes que a tristeza entre em ti com o teu cabelo solto, porque ela irá fluir em cascata através dos canais que a lua traçou no teu corpo. Trança a tua tristeza, dizia. Trança sempre a tua tristeza.E na manhã ao acordar com o canto do pássaro, ele encontrará a tristeza pálida e desvanecida entre o trançar dos teus cabelos.”


Paola Klug