15 de junho de 2016

Em crescimento

Durante amos desenvolvi trabalho comunitário numa Associação sem fins lucrativos. Aderi no final de 2010 como participante, até que em 2012 comecei a colaborar no planeamento e concretização de actividades culturais, sociais e recreativas.
Aquela assume como missão colmatar o isolamento involuntário de pessoas em risco ou na situação de exclusão social. Defende que a individualidade de cada pessoa, pode contribuir para edificar uma Sociedade mais justa e igualitária, plena de direitos e deveres para todos.

Em suma, a diversidade humana é algo positivo e enriquecedor. Identifico-me com esta visão, tendo em conta que os valores basilares cruzam os que defendo e acredito.
No seio desta Associação, vivenciei experiências únicas, muito positivas. Cresci/desabrochei como pessoa a todos os níveis da minha vida.

Há cerca de seis meses a minha vida pessoal e familiar deu uma volta de 360 graus. Alguém muito próximo afectivamente enfrenta um estado avançado de uma doença que pode ser fatal. O núcleo familiar, no qual, estou inserida adaptou-se a uma nova rotina. Internamentos e situações in extremis passaram a fazer parte dos nossos dias. Apesar do desgaste emocional, procuro não perder a esperança de que esta situação possa estabilizar. Como seria de esperar, há momentos em que a porta do pessimismo, do medo ou do pânico quer abrir-se. Ai penso que não posso permitir que esta se escancare; não só por mim, como também pela pessoa doente e pela outra que, tal como eu, permanece ali para o que for.

Quando a vida nos abana e sacode sem aviso, impera a necessidade de restabelecer prioridades congruentes com os nossos limites, adiar projectos e até ceder a concessões independentemente na nossa própria vontade.

Inicialmente a Associação onde colaborava como voluntária foi informada, tendo aceitado o meu pedido de afastamento temporário. Com o passar do tempo começaram a surgir indirectas subtis com sentido oblíquo, tendo por isso mesmo ignorado e considerado como uma percepção errónea da minha parte.
Um não belo dia, transformou-se em discurso directo com conteúdo acusatório. Como se tivesse escolhido ausentar-me daquele grupo e das funções que concretizava antes por puro prazer.
Tal abanão (mais um em tão pouco tempo) fez-me reflectir sobre o que posso e não posso permitir, o que quero e o que faz sentido. Ponderadamente comuniquei a decisão de sair dos órgãos sociais. Pelo projecto nutro o maior respeito, espero que cresça em abrangência e amplitude.
Não foi uma decisão fácil. Houve um estreito envolvimento com o projecto; costumava dizer a brincar que a essência daquela Associação corria-me nas veias. Ficou um certo vazio apesar de ter saído por decisão própria. Com o tempo tudo se encaixa.
Também é verdade que custa encarar que uma ou outra pessoa considerada como amizade para a vida, não o é. Consigo exercitar o discernimento para separar as águas.

Entendam-se as diferentes reacções quando um/a amigo/a passa por uma fase difícil:

  1. há pessoas que não sabem como reagir ou o que dizer, mas em atitude e em linguagem não verbal demonstram que estão lá;
  2. há pessoas que procuram aquela que está nos corredores de um hospital à espera de noticias para relatar o trágico episódio de terem partido uma unha;
  3. há, ainda, as pessoas que questionam repetidas vezes a mesma coisa. Talvez por falta de memória, uma vez que tendemos a esquecermo-nos das conversas meramente circunstanciais.
O respeito pela diversidade humana passa por aceitar a especificidade do outro, sem desconsiderar a nossa de forma equilibrada e sem arrogância. 

Durante esta fase, as pessoas próximas têm-me transmitido força, cada um à sua maneira. Ouvem-me (ou lêem-me), dão-me espaço quando não quero abordar o assunto, alinham em conversas patetas quando é exactamente o que preciso para desligar.

Estou grata pelo que aprendi e pelas ferramentas, em constante evolução, que desenvolvi para enfrentar a vida em todas as dimensões.

Não interessa muito saber como caímos, importa, sim, descobrir como nos levantamos e seguimos em frente. Acredito firmemente nas capacidades de adaptação e de optimismo.

2 comentários:

  1. no meu mote de tudo experimentar, também me dediquei durante 5 anos ao associativismo (como talvez te recordes) até que fui forçado a admitir (por razões 'felizmente' muito diferentes das tuas) que tal era contranatura ao meu pensamento libertário e anti-colectivista/burocrático... porém connosco fica sempre a experiência enriquecedora/esclarecedora ! beijinhos

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    1. Sem sombra de dúvida. Não só não me arrependo como voltaria a fazer as mesmas escolhas se regressasse ao passado. Estou grata pelas experiências enriquecedoras gravadas em mim.Beijinhos.

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