27 de março de 2016

Olha, olha!


«Se o dinheiro é a origem de todos os males porque é que perguntam por ele na igreja?»

Quantos mais sermões se pregam, maiores são as verdades paradoxais.  

24 de março de 2016

Pensamentos #5


21 de março de 2016

21 de Março

Dia da Poesia: vivam todos os poetas em nós.

Sophia de Melo Breyner - sempre!

Hoje

O hoje apareceu
Como se não tivesse existido ontem
E o amanhã fosse um visitante desejado
Para quem se preparam iguarias,
Escolhe-se o melhor vestido.
Hoje a agitação do mar
Desperta-me os sentidos.
Atiça-me o apetite.
A calmaria do movimento
Dá-me fome de mais e mais…

|6-6-2012|

Mais sou

Despida de ti,
Ausente do desejo de te ter,
Longe do teu lado na cama...
sinto-me mais mulher: 
visto o meu melhor vestido, arrisco uma outra maquinagem.
Saio para o mundo que me espera.
Bebo-me.

Escrito a 25-7-2014

Tempo Quebrado

Há uma lágrima que quer brotar… 
Será tristeza, revolta ou mágoa 
O chão rodopia na sombra impenetrada 
O tempo anda sem parar e pára sem fluir 
O tempo de fugir é o momento de ficar 
A hora passa sem falar… 
O minuto vem bradar, 
O segundo guinchar. 
Atirei o relógio ao ar. 
Partindo o tempo em mil e um cacos.

|14-11-2012|

16 de março de 2016

Pensamentos #4


A humanidade carece de açúcar.

8 de março de 2016

Pensamentos #3

7 de março de 2016

Pensamentos #2


Há dias...



5 de março de 2016

Candeeiro de Pedra


Algures, para lá de nenhures, existe um candeeiro apagado.
À luz do dia é invisível: quem passa não o vê e quem lá pára não ouve seu respirar.
De noite é ignorado pelos morcegos. No escuro vive em sobressalto. A música delirante dos bêbados aos trambolhões abana o seu esqueleto subnutrido, arrepia os seus fios outrora a funcionar e estremece a lâmpada rachada. Ainda que se sinta ameaçado, os bêbados cadentes são os únicos a vê-lo antes da ressaca. Vêm-no infiltrado nas alucinações, como um corpo estranho. Ora minga, ora cresce, ora triplica em sombras a rodopiar.
Naquela rua sem nome o candeeiro sente-se só, perdido em lembranças esfarrapadas e corrompidas pelo tempo.
Vem-lhe muitas
vezes à memória a menina-mulher de saltos altos, vestida de vermelho. Dançaram tantas vezes juntos: a melodia do olá, o samba do verão, o twiste, a rumba e a serenata à chuva.
A mulher envelheceu, desceu dos saltos e desapareceu.
Pobre candeeiro alucinado e solitário, à espera dela, que é como quem diz: doido de pedra.


|12-2-2013|