21 de fevereiro de 2016

Carta Fechada

Um dia abri-te a porta principal, convidando-te a entrar. Vieste instalar-te sem licença, alteraste o mobiliário, denegriste a decoração e remexeste o fundo das gavetas. Do cume da tua torre destruíste o cenário convicto que o meu castelo era de areia. 
Nem chegaste a conhecer-me, a desvendar mistérios ou a conhecer os meus sonhos, aspirações e projectos. Não quiseste!
O abanão foi forte, chorei sangue, confesso. 
Agora arrumei os restos da tua encenação e recrio um novo palco onde danço.
 Não há mais lágrimas para ti e nem para nenhuma das personagens tristes e ridículas que interpretas sem arte. 
É de lamentar a tua estagnação, o teu egoísmo, a tua vaidade vazia e a tua inteligência subaproveitada; ainda tens de aprender à força – esse é o caminho mais longo e doloroso, meu caro. 
Vislumbro a tua cegueira psicótica, cada vez mais longe no meu horizonte. Quando algures no tempo perceberes que andaste perdido e quiseres saltar o muro que tu ergueste, não estarei lá com um sorriso a indicar uma nova direcção.



Vejo-me ao espelho e descubro outra pessoa, bem melhor que aquela que deixaste para trás.
Agradeço pelo que me ensinaste. Aprendi que qualquer desgosto é como uma pedaço de gelo. É preciso agarrar, envolver e desfazê-lo com o nosso calor interno. Quanto mais queimar, tanto melhor.
Agradeço também por me teres ensinado que não consegues destruir a minha essência. Se tu não conseguiste ninguém conseguirá.

Adeus.

|31-01-2013|

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