22 de setembro de 2017

A propósito de livros...

Nos últimos tempos, as leituras têm sido fragmentos.

Vejamos, andei às voltas com o livro A Cabana de  WM. Paul Young. Ver aqui. 
Relata a história de um homem que após um acontecimento de vida dramático se reconcilia com a sua fé.
Numa visão muito pessoal, não encontrei no livro as respostas que esperava. A escrita é um pouco obsoleta, por vezes, dei comigo a pensar se era português de portugal. A narrativa podia estar melhor construída, tem partes um pouco fantásticas e obliquas demais. Embora tenha lido até ao fim, com esforço, não me arrependo totalmente mas não me surpreendeu.

Logo a seguir, regressei a uma autora sueca que aprecio: Camilla Läckberg
A Sombra da Sereia é um livro bem conseguido que cativa do inicio ao fim. Tem-se aquela saudável noção paradoxal de querer devorar as páginas para saber o que acontece e, ao mesmo tempo, lamentar que o livro acabe. Ver aqui.

20 de setembro de 2017

Pensamento #22



Enquanto Phoenix deambula contra a corrente, bebe lentamente a palavra de grandes mestres.


PORQUE

“Porque os outros se mascaram, mas tu não.
Porque os outros usam a virtude 
Para comprar o que não tem perdão. 
Porque os outros têm medo, mas tu não. 
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam, mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis, mas tu não. 

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos. 
Porque os outros calculam, mas tu não.”

                                                                                             Sophia de Mello Breyner Andresen

6 de setembro de 2017

Pensamento #21




Conhecemos as palavras. Mas o que sabemos sobre a fonética, a morfologia e a narrativa de quem as humaniza a cada fracção de tempo?

30 de agosto de 2017

Tráfego



Queixas sobre o trânsito? Não, nem vamos por aí; ao menos hoje.

Em pleno cruzamento, não há placas de sinalização, o GPS hibernou e os sinais estão todos intermitentes. 
É preciso seguir uma direcção. De todos os ângulos surgem resmas de condutores atravessados e em contramão de diferentes tamanhos, formas e feitios:
alguns ao chocarem abandonam a viatura (seja um camião TIR ou uma miniatura a pilhas calcinadas) e seguem em frente sem olhar para trás; 
outros há que dissertam sobre o céu que para X é azul e para Y é índigo. Acabam engalfinhados até ao último fôlego, vem o 112 circunscrever o caos, para desencarcerar os calos atamancados.
Ora, tanto o ceguinho mental que não alcança um boi, como o idiota que não sabe que o céu chega para todos, e que o azul se multiplica em tonalidades personalizadas, ocupam espaço.  Preenchem demasiado chão, impedindo o comum dos mortais de atravessar o filho da puta do cruzamento.  
Às vezes o mais comum dos mortais não sabe para onde há-de ir. Não sabe, simplesmente não sabe! E depois? Ah e tal tem de saber… se não sabe é burro. Blá! Blá! Blá!
Deixem-no respirar, deixem-no ser burro, elefante, macaco, coruja ou tubarão! Deixem-no ser, porra! Deixem-no ser o que é. 
Deixem-no permitir-se não saber para criar espaço para (re)encontrar o seu caminho. Melhor dizendo, atingir a clareza necessária para flutuar no meio de tempestades.

Ser pessoa já é uma canseira, ser Phoenix é trabalho de mula… não compliquem ainda mais a cabra da vida. 

5 de agosto de 2017

Gestos que ficam

Recentemente alguém querido, estimado e admirado por múltiplos recantos de mim, agarrou num texto de outrem (meu ilustre desconhecido) e dedicou-mo. Comoveu-me! Tinha de partilhar.


«A vida é um instante. Um momento de momentos. A alegria e o cansaço. A festa e o desastre. Por vezes é madrasta, deixemos os eufemismos o que ela é na realidade, e não raramente, é uma merda. Uma grande merda.
Por vezes levamos chapadas na vida que nos magoam. Cabe-nos dar a volta aos assuntos. Aprender a ler o avesso das coisas. O corpo a queixar-se. O sangue endoidecido. Nós perdidos. Caminhos com longos corredores. Corredores sem fim. Uma luz. Uma intermitente claridade. Sigamos o foco.
Sabemos dos amigos e não sabemos de nada. Exames e relatórios que não sabemos ler. Pedradas sem nexo. Camas de acordar. Um deserto de ideias. Tudo nos contraria os sentidos. Uma revolta que calamos e nos vai massacrando por dentro.
Sei, minha amiga, que vais vencer. Que vamos vencer. Que vamos sair inteiros deste novo desafio. Não admito desistências. Estou aqui. Beijo.»

2017 | Jorge C Ferreira

4 de agosto de 2017

Carta

Querida mãe.

Ao contrário do que tu gostarias, o momento não é de calmaria.
Sei que foi para teu bem, mas custa-me a compreender. Porquê tu?
As nossas conversas fazem-me falta. Tanta falta! Atravesso um momento de dúvidas muito densas:
- não sei como revitalizar o mínimo de segurança, de tranquilidade. Que decisões/opões tomar? As escolhas que fiz parecem descambar;
- não sei em quem confiar, desconfiando de todos. Especialmente de quem sempre esteve e mesmo presente não consegue compreender-me.
 Não sei nada, mãe. «O que dirias, tu?»
Quem sou eu além de ti?
Fazes-me falta…os espaços vazios de ti parecem já não me embalar.
Não é a primeira e nem a última carta que te escrevo. Muito fica por dizer e outro tanto por calar..
Amo-te muito, mãe.
Tua Anita.


26 de julho de 2017

Pensamento #20

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Sê tu próprio sem receios.

A genuinidade é uma característica humana. Tem um preço variável consoante as situações ou mais concretamente os ciclos da vida.
Ser autêntico em plena calmaria é chique, tem glamour... blá blá blá.
Porém, ser genuíno entre tempestades e terramotos é só para quem os tem no sitio. Não é cena para meninos e meninas sempre bem passadinhos a ferro. Não! É coisa de gente com fibra. Gente que cai e levanta-se por mais fodida que esteja.