11 de outubro de 2017

Alegoria do vazio

São vazios tamanhos:
deformados de tempo e de espaço,
ancorados sem chão.
São vazios de gente:
vozes ausentes que faltam,
gritos que ferem,
palavras presas no silêncio,
sonoridades falsas,
frases feitas com meias silabas trocadas.
Quanto teatro, Deus pai. Quanto teatro?
É o teatro vazio de vida, de arte e de engenho.
Quantos livros calados e queimados?
Quantas páginas me perderam?
Quanto por calar e quanto dizer e gritar?

São vazios…de/em mim.

3 de outubro de 2017

Kings Of Leon - WALLS

 Sons e melodias com sentido.



I can get there on my own
You can leave me here alone
I'm just tryin' to do what's right
Oh, a man ain't a man unless he's fought the fight

I could never point you out
Waste of space in a faceless crowd
Tell me what I have to say
If you know what's right then you'll walk away

When the walls come down
When the walls come down
When the walls come down
When the walls come down

One by one I'm seein' them fall
Some just don't show up at all
I'm just here to fight the fire
Oh, a man ain't a man unless he has desire

And the walls come down
And the walls come down
When the walls come down
When the walls come down

You tore out my heart
You threw it away
A Western girl with Eastern eyes
Took a wrong turn and found surprise awaits
Now there's nothing in the way
In the way
In the way
In the way

When the walls come down
When the walls come down
When the walls come down
When the walls come down

You tore out my heart
You threw it away
Western girl with Eastern eyes
Took a wrong turn and found surprise awaits
Now there's nothing in the way
In the way
In the way
In the way

22 de setembro de 2017

A propósito de livros...

Nos últimos tempos, as leituras têm sido fragmentos.

Vejamos, andei às voltas com o livro A Cabana de  WM. Paul Young. Ver aqui. 
Relata a história de um homem que após um acontecimento de vida dramático se reconcilia com a sua fé.
Numa visão muito pessoal, não encontrei no livro as respostas que esperava. A escrita é um pouco obsoleta, por vezes, dei comigo a pensar se era português de portugal. A narrativa podia estar melhor construída, tem partes um pouco fantásticas e obliquas demais. Embora tenha lido até ao fim, com esforço, não me arrependo totalmente mas não me surpreendeu.

Logo a seguir, regressei a uma autora sueca que aprecio: Camilla Läckberg
A Sombra da Sereia é um livro bem conseguido que cativa do inicio ao fim. Tem-se aquela saudável noção paradoxal de querer devorar as páginas para saber o que acontece e, ao mesmo tempo, lamentar que o livro acabe. Ver aqui.

20 de setembro de 2017

Pensamento #22



Enquanto Phoenix deambula contra a corrente, bebe lentamente a palavra de grandes mestres.


PORQUE

“Porque os outros se mascaram, mas tu não.
Porque os outros usam a virtude 
Para comprar o que não tem perdão. 
Porque os outros têm medo, mas tu não. 
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam, mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis, mas tu não. 

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos. 
Porque os outros calculam, mas tu não.”

                                                                                             Sophia de Mello Breyner Andresen

6 de setembro de 2017

Pensamento #21




Conhecemos as palavras. Mas o que sabemos sobre a fonética, a morfologia e a narrativa de quem as humaniza a cada fracção de tempo?

30 de agosto de 2017

Tráfego



Queixas sobre o trânsito? Não, nem vamos por aí; ao menos hoje.

Em pleno cruzamento, não há placas de sinalização, o GPS hibernou e os sinais estão todos intermitentes. 
É preciso seguir uma direcção. De todos os ângulos surgem resmas de condutores atravessados e em contramão de diferentes tamanhos, formas e feitios:
alguns ao chocarem abandonam a viatura (seja um camião TIR ou uma miniatura a pilhas calcinadas) e seguem em frente sem olhar para trás; 
outros há que dissertam sobre o céu que para X é azul e para Y é índigo. Acabam engalfinhados até ao último fôlego, vem o 112 circunscrever o caos, para desencarcerar os calos atamancados.
Ora, tanto o ceguinho mental que não alcança um boi, como o idiota que não sabe que o céu chega para todos, e que o azul se multiplica em tonalidades personalizadas, ocupam espaço.  Preenchem demasiado chão, impedindo o comum dos mortais de atravessar o filho da puta do cruzamento.  
Às vezes o mais comum dos mortais não sabe para onde há-de ir. Não sabe, simplesmente não sabe! E depois? Ah e tal tem de saber… se não sabe é burro. Blá! Blá! Blá!
Deixem-no respirar, deixem-no ser burro, elefante, macaco, coruja ou tubarão! Deixem-no ser, porra! Deixem-no ser o que é. 
Deixem-no permitir-se não saber para criar espaço para (re)encontrar o seu caminho. Melhor dizendo, atingir a clareza necessária para flutuar no meio de tempestades.

Ser pessoa já é uma canseira, ser Phoenix é trabalho de mula… não compliquem ainda mais a cabra da vida. 

5 de agosto de 2017

Gestos que ficam

Recentemente alguém querido, estimado e admirado por múltiplos recantos de mim, agarrou num texto de outrem (meu ilustre desconhecido) e dedicou-mo. Comoveu-me! Tinha de partilhar.


«A vida é um instante. Um momento de momentos. A alegria e o cansaço. A festa e o desastre. Por vezes é madrasta, deixemos os eufemismos o que ela é na realidade, e não raramente, é uma merda. Uma grande merda.
Por vezes levamos chapadas na vida que nos magoam. Cabe-nos dar a volta aos assuntos. Aprender a ler o avesso das coisas. O corpo a queixar-se. O sangue endoidecido. Nós perdidos. Caminhos com longos corredores. Corredores sem fim. Uma luz. Uma intermitente claridade. Sigamos o foco.
Sabemos dos amigos e não sabemos de nada. Exames e relatórios que não sabemos ler. Pedradas sem nexo. Camas de acordar. Um deserto de ideias. Tudo nos contraria os sentidos. Uma revolta que calamos e nos vai massacrando por dentro.
Sei, minha amiga, que vais vencer. Que vamos vencer. Que vamos sair inteiros deste novo desafio. Não admito desistências. Estou aqui. Beijo.»

2017 | Jorge C Ferreira