18 de novembro de 2017

Reflexo desvanecido





Entre muitas mudanças sofridas, nos últimos tempos, está a tua representação na minha história.

Repeti vezes sem conta, “uma amiga/companheira  para a vida”, referindo-me a ti com um sorriso no peito. 

Daquele fatídico dia em que me levaste a sentir as  mesmas sensações  diante do  túmulo da minha mãe retenho: o teu olhar gélido quando balbuciei um pedido de um abraço totalmente ignorado. 
Hoje devia estar a celebrar o teu aniversário,  devia estar à espera dessa nova vida cheia de alento e de esperança mas de ti não faço parte.
Sabes, o tempo de mágoa passou. Aceito-te como és, as escolhas que fizeste. Desejo apenas que floresças no bem.

Sinto falta de mim quando acreditava e confiava plenamente no amor incondicional, só isso. 

Parabéns, ....!

3 de novembro de 2017

Folhas Secas e Soltas

Nos últimos tempos sequei, morri e disfarcei.

Resultado de imagem para folhas secas

Notas soltas deste turbilhão de correntes e tempestades:

- Regressar ao hospital (o mesmo onde meses antes a morte bateu e entrou diante dos meus olhos) de urgência com um parente, revisitar recantos, cheiros e sons que só quero esquecer, mexeu comigo. O familiar esteve internado, saiu ai fim de 8 dias, e recupera favoravelmente. 

- Feridas até à pouco cicatrizadas voltam a sangrar: as quezílias do tempo presente abrem a janela de um futuro  amargo. Se ilações tirasse diria que árvore podre nunca pode dar bom fruto, por mais que seja enxertada,  granjeada e cuidada. 

- Sem falar no ponto negro camuflado por um faz-de-conta que se vive o dia-a-dia.
Sensação de segurança interior, por onde andas?  

- As pequenas vitórias alcançadas neste agora têm um sabor estranho e voraz: salgado sem sal e doce sem açúcar com efeito efervescente.

Perscruto as folhas caídas no chão e imagino o quanto secaram e se soltaram do ramo que pertenciam. Soltas ao vento por nenhures onde nem a chuva sentem, desfasadas da sua essência de ser.

11 de outubro de 2017

Alegoria do vazio

São vazios tamanhos:
deformados de tempo e de espaço,
ancorados sem chão.
São vazios de gente:
vozes ausentes que faltam,
gritos que ferem,
palavras presas no silêncio,
sonoridades falsas,
frases feitas com meias silabas trocadas.
Quanto teatro, Deus pai. Quanto teatro?
É o teatro vazio de vida, de arte e de engenho.
Quantos livros calados e queimados?
Quantas páginas me perderam?
Quanto por calar e quanto dizer e gritar?

São vazios…de/em mim.

3 de outubro de 2017

Kings Of Leon - WALLS

 Sons e melodias com sentido.



I can get there on my own
You can leave me here alone
I'm just tryin' to do what's right
Oh, a man ain't a man unless he's fought the fight

I could never point you out
Waste of space in a faceless crowd
Tell me what I have to say
If you know what's right then you'll walk away

When the walls come down
When the walls come down
When the walls come down
When the walls come down

One by one I'm seein' them fall
Some just don't show up at all
I'm just here to fight the fire
Oh, a man ain't a man unless he has desire

And the walls come down
And the walls come down
When the walls come down
When the walls come down

You tore out my heart
You threw it away
A Western girl with Eastern eyes
Took a wrong turn and found surprise awaits
Now there's nothing in the way
In the way
In the way
In the way

When the walls come down
When the walls come down
When the walls come down
When the walls come down

You tore out my heart
You threw it away
Western girl with Eastern eyes
Took a wrong turn and found surprise awaits
Now there's nothing in the way
In the way
In the way
In the way

22 de setembro de 2017

A propósito de livros...

Nos últimos tempos, as leituras têm sido fragmentos.

Vejamos, andei às voltas com o livro A Cabana de  WM. Paul Young. Ver aqui. 
Relata a história de um homem que após um acontecimento de vida dramático se reconcilia com a sua fé.
Numa visão muito pessoal, não encontrei no livro as respostas que esperava. A escrita é um pouco obsoleta, por vezes, dei comigo a pensar se era português de portugal. A narrativa podia estar melhor construída, tem partes um pouco fantásticas e obliquas demais. Embora tenha lido até ao fim, com esforço, não me arrependo totalmente mas não me surpreendeu.

Logo a seguir, regressei a uma autora sueca que aprecio: Camilla Läckberg
A Sombra da Sereia é um livro bem conseguido que cativa do inicio ao fim. Tem-se aquela saudável noção paradoxal de querer devorar as páginas para saber o que acontece e, ao mesmo tempo, lamentar que o livro acabe. Ver aqui.

20 de setembro de 2017

Pensamento #22



Enquanto Phoenix deambula contra a corrente, bebe lentamente a palavra de grandes mestres.


PORQUE

“Porque os outros se mascaram, mas tu não.
Porque os outros usam a virtude 
Para comprar o que não tem perdão. 
Porque os outros têm medo, mas tu não. 
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam, mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis, mas tu não. 

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos. 
Porque os outros calculam, mas tu não.”

                                                                                             Sophia de Mello Breyner Andresen

6 de setembro de 2017

Pensamento #21




Conhecemos as palavras. Mas o que sabemos sobre a fonética, a morfologia e a narrativa de quem as humaniza a cada fracção de tempo?